27 dezembro, 2010

Adote um vira-lata! Vira-lata é que é chique!

 

História de cada Anjo, no fim do textoAugusto Abrigo 

Cinthia Kriemler  

Para se contar a história de um cão não é preciso conviver com ele mais que uma vez. O jeito de andar, de comer, de olhar a gente nos olhos, de nos fazer carinho ou se afastar tremendo nos diz por onde andou esse cão.

Há caminhos onde se percebe que houve o riso, um carinho, uma comida gostosa, água fresca na vasilha. Há outros, porém, em que só o que a gente consegue enxergar é a surra recebida, o olho furado, a pele queimada, a perna manca, o focinho arrebentado.

Medo, medo, medo. É isso o que se vê no olhar, na pata voltada para dentro, no recuar imediato a cada tentativa de toque.

A história de um cão pode ser feliz. Ou infeliz.  De um jeito ou de outro, isso não depende dele.

Depende do quanto aprendeu que o ser humano é bom, ou do quanto já sentiu na pele o descontrole de alguns seres que caminham em duas pernas, comem, bebem, fazem sexo, dormem e falam. E nem assim conseguem ser gente.

No entanto, estranho, mas estranho mesmo, é andar em meio a mais de 300 cachorros que sofreram maus-tratos, atropelamentos, abandono e não ver nenhum deles, nenhum deles mesmo querer ou tentar agredir você.

O cão que já sofreu aceita qualquer migalha. Uma mão na cabeça ou no focinho, uma coçada atrás da orelha, um afago no corpo magro, uma voz suave perto do ouvido.

Aceita meio ossinho, um punhadinho só de ração, água na mão, no chão, na vasilha torta. Aceita até um pedaço de pão velho, daqueles que a gente joga no lixo.

E quando recebe qualquer coisa, olha pra você como se visse um herói, um deus. E te segue, e abana o rabo (quando ainda tem um rabo que não tenha sido arrancado por algum maluco!), e cheira a sua mão, e tem ciúme de você. Agradece, agradece, agradece!

Mas é difícil conseguir alguém para adotar um cão assim: magro, machucado, meio doente, sofrido, arredio, nervoso, medroso. As pessoas que adotam (e ainda bem que adotam!) preferem os filhotes, bonitinhos, de olhar sem histórias, com a confiança ainda intacta no ser (dito) humano. Eu entendo. Entendo, sim.

Mas segue um apelo, um apelo forte, doído e quase em desespero para quem consegue enxergar a beleza do feio!

O filhote bonitinho que mora no abrigo é filho de uma cadela feia e magra que conseguiu parir coisas tão lindas porque teve um lar! A cadela suja, tímida que nem tem todos os dentes (porque os perdeu nas latas de lixo e nas brigas por comida para alimentar os filhotes que trazia ainda do lado de dentro) amanhã vira gordinha, linda, forte e pode ser feliz. Mas precisa de ajuda para superar e vencer agora, enquanto ainda padece de falta de comida, de saúde e de amor!

Eles não falam. Com a boca. Mas a gente entende cada dor, cada alegria, cada vontade.

Superação, persistência, mudança de comportamento é o que se vê em cada um dos cães que moram no Augusto Abrigo.

Não é à toa que eles amam tanto os donos, que basta a voz baixa e educada de Eliane para que todos se acalmem e procurem por ela. Ou basta o Rafael aparecer na porta para que todos se juntem perto dele, abanando os rabos.

Se você tem amor para dar a um animal, que tal desistir de comprar ou de ir atrás de raças caras e sofisticadas?

E aqui, algumas histórias do Augusto Abrigo que quero começar a contar.

Na foto, da esquerda para a direita:

  • Moe — um cachorrinho adorável e alegre, que foi adotado, mas foi devolvido, porque o dono disse que ele era muito... MEIGO!
  • Uma dupla de filhotes — o bebezinho dorme na barriga do mais velho, que também ainda é bebê, mas ambos se ajudam (e nem são da mesma mãe).
  • Vovô – um daschund que teve um lar por nove anos, mas sua dona se mudou para um apartamento novo, onde não se aceitam cachorros...
  • Uma cadela amarela – que chegou esta semana e ainda mantém as orelhas abaixadas (vejam a posição), em submissão, como quem diz, “por favor, não me batam!”
  • O filhotinho preto e branco – que também chegou esta semana, é um doce e gosta de dormir no colo da gente, enroscado no cabelo ou perto do coração.
  • Rui  – Da raça Akita, um animal desconfiado, grande e que foi abandonado, mas que vem aprendendo, semana após semana, que não precisa empurrar nem correr para ganhar comida ou carinho.
  • Bebezito – o mais novinho do abrigo, mas valente que é uma maravilha!
  • Diva – a linda e meiga boxer que era usada em brigas de cachorros e só agora está podendo conviver com os outros cachorros, já que, antes, tinha medo de todos eles (não tem todos os dentes, mas faz carinho que é uma beleza!).

Cinthia

 

Cinthia Kriemler é carioca e vive em Brasília há mais de 40 anos. É contista e cronista. Adora gente e animais da mesma forma, porque acredita que tudo o que  Deus criou tem um toque de magia. E que toda criação precisa ser compreendida e preservada pelo amor.

3 comentários:

samanta_godoi@hotmail.com disse...

Fiquei encantada com o filhotinho preto e branco. Como faço para obter informações dele, onde posso vê-lo?


samanta_godoi@hotmail.com

Dálethy Santos disse...

OLá; a tempos eu procuro uma abrigo de cães perto de minha casa, vi uma materia na internet e descobri que o abrigo de voces é no Ingá. moro na Santa MAria. Atualmente Ajudo a SHB. só que o abrigo é em São sebastião e fica muito longe para mim.gostaria de estar conhecendo seu abrigo,pois amo os animais, e sou defensora dos direitos deles além de ser mais perto de casa, e eu posso participar mais, ajudando vocês. entre em contato comigo. meu email é dalethysantos@hotmail.com e estou divulgando o trabalho de vocês em meu BLOG. gostaria que me informassem quando posso visita-los, Eu vou começar a cursar MEdicina Veterinária e me interesso muito em ajudar essas criaturinhas indefesas. entre em contato ok. Obrigada
fiquem com DEUS!

Ana Beatriz disse...

Bom dia...vi a foto do Akita Rui...se parece demais com meu cachorro que fugiu. Eu preciso demais ir no abrigo para ver se realmente é meu cachorrinho. Ele atende pelo nome de Alfredo...tenho muitas fotos dele...um cão super inteligente. Esta sumido desde o dia 7 de Fevereiro. Por favor...entrem em contato comigo...minha irmã também esta tentando contato com vcs mas não consegue nem por telefone. Eu irei onde for preciso para ver se este lindo animal é realmente meu Alfredo. Desde já agradeço. Beatriz (61) 3382-1521 / 8208-7735

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