24 fevereiro, 2011

Esperança

max As marcas brancas é a babinha de tanto chorar e uivar.

Após passar alguns meses acompanhando o trabalho desenvolvido pela Eliane Zanetti no Augusto Abrigo, comecei a ver de perto o que o ser humano é capaz de fazer com a sua racionalidade em relação aos animais.

Eu vi cães que eram mantidos em lugares anti-higiênicos ou que lhes iimpediam a respiração, o movimento ou o descanso, ou os privassem de ar ou luz.

Eu vi cães abandonados por estarem doentes, idosos, feridos, mutilados. Vi cães espancados, golpeados e os que eram de rinhas. Vi cão dependente de álcool.

Vi a animais “perdidos”, mortos por atropelamento, mortos por abandono, atropelados sem socorro gerando perda de locomoção, vi pessoas que deixam de ministrar-lhe tudo o que humanitariamente se lhe possa prover, inclusive assistência veterinária.

O ser humano abusa sexualmente cães fêmeas e machos e na maioria das vezes depois de abusarem e abusarem enforcam o animal, mata a paulada, ou os deixam vagando, sentindo dores, perambulando pelas ruas. O ser humano consegue colocar ponta de cigarro acesa no olho de seu gato para saber como é o grito de dor do animal.

Vi chegarem filhotes de gatos encontrados por lixeiros dentro dos containers. Vi chegarem filhotes de proprietários que deixam suas fêmeas procriarem e lhe tiram os filhotes para jogá-los no lixo, apenas por que supõem que o animal precisa de cruzar.

Com o passar do tempo a gente pensa que já se acostumou com a maldade e a falta de zelo, engano.
Ontem chegou o Max que é esse cão da fotografia, e está hoje com dois anos de idade. Ele ele chegou aqui filhote abandonado, foi adotado e devolvido por que o adotante, para nossa surpresa, trouxe o cão de volta dizendo comprou um cão de raça, e já não precisa mais de um vira-lata.

A revolta que sentimos é muito grande, e mais revoltante ainda é termos que pensar que temos que ficar felizes por que ele poderia ter sido largado na rua, e pior seria se encontrássemos o Max vagando com fome, sendo chutado, apedrejado, ou então em um acostamento com o corpo endurecido e uma mancha de sangue em volta de seu corpinho em estado de decomposição.

Nós hoje temos que ficar felizes,  o Max foi devolvido.

E o Max? O Max está nervoso, chorando, andando de um lado para outro, em outros momentos apático, triste, não nos deixa aproximar dele, não se aproxima de outros cães.

E mesmo assim, temos que ficar felizes, pois o Max foi devolvido.

Esses dias recebi um daqueles e-mails com frases engraçadas, mas uma me chamou a atenção:
“A esperança é a penúltima que morre, depois morre todo o resto”. (autor desconhecido).
Angélica Bessa

14 comentários:

Tata disse...

Não podemos descartar os animais como se eles fossem um objeto que não nos serve mais, eles se apegam a nós, sofrem.

Me dói imensamente o coração quando ouço uma história como essa do Max. Demonstra a falta de caráter, de humanidade, de bondade das pessoas.

A esperança de renova pois que, dentre esses crápulas, ainda existem muitas e muitas pessoas bondosas, que adotam seus bichinhos e lhes dão amor incondicional.

Suzana disse...

É lamentável o que fizeram com Max. Mais um motivo para se ter muito critério ao doar um animal. Por mais que pareça chato, é preciso fazer uma boa triagem de quem aparece querendo adotar um deles. Mesmo assim, corre-se o risco de vê-los devolvidos, imagina se não se questiona muito ao doá-los, se aquele candidato "mais ou menos" serve para levar um deles?

Augusto Abrigo disse...

Pois é Suzana concordo plenamente com você. Por isso somos rígidos com nossas adoções.

Apesar de parecer frio, na hora da adoção (instituto jurídico que existe apenas para seres humanos), nosso termo de adoção transforma-se em contrato de doação (para bens semoventes no caso dos animais) gravado com encargos. É composto de várias exigências como multa e cláusula penal. Só assim poderemos ter uma "quase certeza" de que nosso animal tão amado será devolvido em caso de desistência, maus tratos, etc.

Além disso, costumamos fazer uma visita antes de entregar o animal, para termos certeza que o endereço confere e se haverão as condições de higiene, segurança e saúde para nosso Anjinho.

Algumas pessoas consideram exagero. Mas diante de tantos exageros contra os animais que assistimos diariamente, por que não cometermos alguns também em prol dos nossos queridos protegidos não é?

O órgão do corpo humano que mais dói é o bolso, e certamente por isso Max foi devolvido.

Abraços,
Angélica Bessa

Priscila Souza disse...

Ridículo vcs colocarem a localização do abrigo errada. Jardim do Ingá é Luziânia tá!Luziânia não é DF!!! Se for pra deixar a localização mais fácil... coloca Luziânia-GO, localizada no entorno do DF. Mas é muito feio não assumir a cidade onde se estabelece.
Preconceito besta com Goiás!

Anônimo disse...

Angélica, vc pode me tirar uma dúvida?

Vocês os animais que estão sendo doados estão sendo castrados? Esse é uma condição para a doação?

Bem se precisar de ajuda com algum candidato daqui de Taguatinga e Águas Claras, estou à disposição. Posso ajudar em visitas, etc...

Suzana

Augusto Abrigo disse...

Suzana,

Sim, esta é uma condição para doação. Além do trabalho de resgatar o animal, tratar e disponibilizar para doação, tentamos conscientizar as pessoas sobre castração, guarda responsável, tratamento veterinário

Todos os animais que saem para doação, já são são castrados, vacinados e vermifugados.

Quando souber de algum candidato, por favor nos indique, ficaremos muito gratos. Queremos que todos que sofreram abusos, tenham uma chance de um lar e da convivência com pessoas dignas que possam dar amor de verdade e que respeitem os animais como eles devem ser respeitados.

Abraços
Angélica Bessa

Augusto Abrigo disse...

Priscila Souza,

O Augusto Abrigo é sediado no DF, é de lá que vem as doações, recursos, ajuda financeira, bem como os resgates que fazemos e animais que recebemos que vem do Lago Sul, Parq Way, Santa Maria e outros lugares do DISTRITO FEDERAL.

O lugar onde os animais se encontram é apenas onde estão abrigados e não pode ser divulgado em jornais, revistas, internet, orkut, facebook e no nosso site, porque pessoas se aproveitam para jogar animais aqui: filhotes, mãezinhas prenhes, ou alguns quase mortos de dor em nosso portão.

Para você, dedico o próximo post, assim quem sabe, você e outras pessoas vão poder entender.

Angélica Bessa

Maria Caroline disse...

Eu não entendo como alguém pode ir a um abrigo, escolher um animal, levá-lo para casa, alimentar, dar abrigo, ficar com ele por 2 anos e depois devolver! Devolver? Como assim? O animal estava no abrigo, muito bem, não pediu para ser adotado, não pediu para ninguém ir buscá-lo. A pessoa vai pq quer! Animal não é objeto que se devolve. A pessoa que adota um animal deve saber que este animal precisa de um tempo de adaptação e que no início ele pode ter problemas de comportamento ou ficar stressado com a mudança. Porém, nós que fomos até o abrigo, buscamos o animal, acolhemos é que temos a obrigação de fazer a adoção dar certo! Devolver o animal jamais pode ser uma opção banal. Depois que se sai pela porta com o animal, vc deve saber que ele irá passar o resto da vida com você! Será um companheiro lindo, fiel, amoroso e só cabe ao adotante fazer de tudo para que o animal se adapte bem!!
Quando fui ao abrigo, enquanto eu terminava o processo de adoção a Eliane me alertou para o fato de que se eu não quisesse mais ficar com a minha filhinha adotiva eu deveria e poderia devolvê-la ao abrigo. Respondi para a Eliane que a partir daquele momento a Belinha ficaria para sempre conosco e a devolução não existe em nosso vocabulário.
Pessoas, tenham responsabilidade...por acaso se joga um parente ou pessoa da família por cima de um muro? Qdo o mesmo familiar não "serve" mais, o que fazemos com ele? Devolvemos?... Infelizmente, algumas pessoas pensam na devolução e rejeição como uma opção... só rezo para que nunca sejam rejeitadas por aqueles que amam e acabem sozinhas, chorando e uivando em um asilo ou leito de hospital, simplesmente pq não "servem" mais.
Revoltante!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Augusto Abrigo disse...

Caroline querida,

As pessoas são mesmo assim, nós agora resolvemos expor mais o que acontece nos bastidores.

Seus Anjos estão bem?

Saudades

Angélica Bessa

Maria Caroline disse...

Angélica, querida!
Os meus dois anjinhos estão ótimos, graças a Deus... daqui a 10dias a Bela vai passar por uma limpeza nos dentinhos, pois agora ela está totalmente recuperada e pode passar pela sedação sem nenhum problema... mas mesmo assim, já fico apreensiva, pois vai passar o dia na clínica! Mas, sei que é pelo bem dela!!

E suas filhinhas, lindas, como estão??

Acho que vcs estão muito certos em mostrar o que realmente acontece e chocar as pessoas para ver se elas se convencem do sofrimento pelos quais os animais passam.
Vocês do abrigo são heróis, mas ter que lidar com isso sem expor ao mundo é uma violência com vcs também!!
Que Deus abençoe a todos os animais.

Vanessa disse...

Me dói muito o coração saber que há pessoas capazes de fazer isso ou coisas piores. Um cachorro é um membro da família, é um ser que é puro amor. Realmente, não consigo compreender pessoas que os abandonam assim, sem o menor remorso. Tenho muita pena do outro cachorro que foi adotado por essa família cruel e desumana. Espero mesmo que eles não façam a mesma coisa cruel que fizeram com o Max. Espero também que o Max encontre uma outra família que o ame de verdade e saiba receber o seu amor incondicional. Finalmente, e com o perdão de Deus, espero de verdade que pessoas que são capazes de maltratar os animais, sejam punidas de forma justa um dia...
Parabébs ao Augusto Abrigo pelo belo trabalho!

"O cão é um cavalheiro, eu espero ir para o céu deles, não para o dos homens." (Mark Twain)

"Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz." (Milan Kundera)

Suzana disse...

Olá, Como está o Max? Gostaria de ter notícias dele. Suzana

Augusto Abrigo disse...

Suzana,

Max está lindo, recuperou-se do trauma de ter sido abandonado, esta brincando com os demais, correndo para todos os lados, uma gracinha.
Obrigada pelo interesse.

Suzana disse...

Olá,

Sugeri ao Correio Braziliense que fizesse uma matéria sobre casos como o do Max, de devolução após a adoção. A jornalista chegou a me ligar. Indiquei o caso do Max e do Piratinha. Não sei se ela irá contatar o abrigo, mas, se fizerem isso, vocês já sabem o porquê. Fora os dois casos, conheço, infelizmente, outros tantos.

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