25 agosto, 2011

Tem dor que dói tanto, que nem mesmo a "dor" dói o suficiente para sanar essa dor...



Com o passar dos anos, os exemplos vão me dizendo o que eu quero, e o que eu não quero em minha vida.
Semana passada, após perder um ser tão amado e querido, descobri que quando eu ficar idosa quero ser como ela: Fernanda.

Fernanda, apesar da idade e do câncer que habitava seu corpo, nunca reclamava. Não ralhava com ninguém, com nenhum ser de espécie diferente a dela, e tinha muita paciência com os jovens seres semelhantes.

Uma Lady que tinha a vantagem de ser surda e assim não ouvia tantas bobagens, besteiras e que nós ao lado dela falávamos. Mesmo assim, sabia se comunicar como uma rainha, apenas com poucos gestos, expressava o que desejava, e assim nós súditos dessa nobreza cedíamos aos seus encantos e realizávamos suas vontades com alegria no coração.

Fernanda com seu olhar calmo e penetrante marcou presença aqui no Augusto Abrigo, como uma luminosa alma que mostrava como ser paciente, respeitosa. Saber esperar era uma de suas qualidades. Sim ok, às vezes se manifestava emitindo latidos compassados em tons suaves e espaços certos. Afinal ela estava pedindo a algum de nós, seres humanos desatentos, que parássemos o que estávamos fazendo e abríssemos a porta da casa da para ela entrar.

O meu luto não passou ainda e não passará tão cedo. As emoções aqui se misturam, boas e ruins, alegres e tristes, não dá tempo de esvaziar o luto por um cão ou gato que virou estrelinha, por que neste momento há outro indo para a clínica, ou então outro chegando da clínica, e neste mesmo minuto chega outro novo morador muito sequelado pela maldade humana, e em seguida em pouco menos de 14 horas conseguimos uma adoção maravilhosa. Assim nossas emoções oscilam como uma montanha russa e definitivamente o relógio aqui dentro não serve para nada, apenas para sabermos como anda o mundo lá fora. O Augusto Abrigo é um lugar onde eu aprendo dois anos a cada 48 horas.

Fernanda virou estrelinha e com ela levou uma parte de nossos corações. Ela faz falta na hora de dormir, pois diariamente era sempre a última a deitar-se, esperando os outros anjinhos se acomodarem, não vai latir mais para que Eliane ou Rafael abram a porta de casa para ela. Mas certamente ela não precisou latir para que o portão de entrada se abrisse para ela. Com certeza, ela entrou no Céu dormindo, recuperando-se de suas mazelas físicas, carregada no aconchegante colo de Vovô Augusto, que é nosso exemplo de como respeitar os animais.
Angélica Bessa

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